segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Ressaca ou luto eleitoral? Abandone isso hoje mesmo.

 



Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os do cativeiro, os quais fiz transportar de Jerusalém para babilônia: Edificai casas e habitai-as; e plantai jardins, e comei o seu fruto. Tomai mulheres e gerai filhos e filhas, e tomai mulheres para vossos filhos, e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; e multiplicai-vos ali, e não vos diminuais. E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz. Jeremias 29:4-7


     Usarei esse texto para falar aos que estão de "ressaca eleitoral". Se não é o seu caso, se você está feliz, aproveite o seu momento, leia e tire o que lhe for de proveito, lembrando sempre que é tempo de tentar reunir famílias, amigos, condôminos, enfim, unir os que agora estão separados. Não é o melhor momento para tripudiar. Os ânimos estão acirrados.

     Aliás, antes que alguém se precipite, já vou explicando que não irei comparar, de forma alguma o resultado desta eleição com a gravidade da profecia de Jeremias. Não se trata disso, pode confiar.

     A profecia acima, de Jeremias, foi dada num dos momentos mais graves da história de Israel: o povo de Deus estava sendo mandado para o cativeiro na Babilônia. Muitos seriam mortos, famílias seriam separadas, muitíssimos seriam desterrados (como o profeta Daniel e seus amigos), os muros da cidade e o templo seriam destruídos e, por fim, no que restasse da terra arrasada, só sobraria uma massa de miseráveis (Ne 1:3).

     Penso que este texto comunica algo muitíssimo importante para os que estão de "luto" ou "ressaca" eleitoral:

1. Promessas e ordens - Por mais "perdido" que o Brasil pareça estar aos seus olhos neste momento, tenha certeza de que a situação descrita em Jeremias foi incomparavelmente mais grave e, mesmo naquele terrível cenário, Deus deu promessas e ordens a seu povo. E as ordens eram no sentido de avançar: plantem vinhas, construam casas, plantem jardins! E mais: casem-se, multipliquem-se e busquem a paz na cidade! Não era tempo de ficar prostrado, parado, desesperado. A vida devia prosseguir.

2. A paz na cidade - Deus manda Seu povo buscar a paz em meio a um povo iníquo, que não O conhecia e que agora dominaria Israel, levando-o cativo. Fica, então, a reflexão para nós: não deveríamos nós, muito mais, buscar a paz nas nossas cidades, visto que somos todos brasileiros? Olhe à sua volta: o sol se pôs ontem e tornou a nascer hoje. Cada um foi para o seu trabalho, as crianças foram para a escola, estamos aqui navegando na internet. Que tal tirar da boca a lamúria e celebrar a vida normal que ainda temos e provavelmente teremos?

     Ficarei apenas nestes 2 pontos, acrescentando que Deus é soberano, tudo vem das Suas Mãos e que Ele nos insta a orar pelas autoridades, e inclusive honrá-las (vide Rm 13 e 1 Pe 2:17). Vale a pena meditar também nisso. Daniel e seus amigos foram deportados para a Babilônia devido ao cumprimento da profecia de Jr 29, e os relatos bíblicos mostram que Deus era com eles, e que eles não enfrentavam as autoridades, senão quando compelidas a trair o seu Deus. 

     Temos um Deus a quem seguir e de quem depender. Temos as ordens e os exemplos dos heróis da Bíblia para nos orientar. Levante a cabeça, ore e, como eu sempre acabo dizendo: "entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e Ele tudo fará" (Sl 37:5).


Pr Felipe Rei


sábado, 16 de abril de 2022

Sábado sem aleluia

 


Imagine o fim de toda a estrutura que cerca a sua vida. Desemprego. Família separada. Amigos se convertendo em inimigos. Perseguição e desconfiança de tudo e todos, inclusive do Estado.

Esta deve ter sido a base do sentimento no coração de Pedro no sábado posterior à crucificação.

Ele estava sozinho, em local incerto e não sabido - e sabe-se lá em que condições mentais e emocionais - desde a noite que antecedeu a crucificação. Havia negado o Senhor por três vezes, julgava-se o mais baixo dos homens, um covarde, e, o que é pior: não havia mais o que fazer, porque agora o Senhor havia sido morto. 

No sábado, essa morte tinha o peso do selo do destino sobre a vida de Pedro, porque agora ele estava privado de seu Senhor, seu amigo, seu Mestre, e possivelmente suas negativas deixariam mágoas dentro da única família que lhe restava: os discípulos.

Para piorar, as autoridades judaicas, satisfeitas por um momento, logo empreenderiam uma perseguição aos seguidores de Jesus, visando a acabar com qualquer possibilidade de manter sua fé viva. Haviam até mesmo requerido aos romanos uma guarda na porta do sepulcro.

No entanto, graças ao relato de Lucas sabemos que Pedro estava com os demais discípulos no primeiro dia da semana (o domingo). Mas nada é falado sobre o sábado.

Cabe aqui uma palavra sobre como a religião judaica considera a duração dos dias: cada dia é considerado conforme luz e trevas, dia e noite. Assim sendo, desde os tempos bíblicos (e ainda hoje) o shabat judaico começa no pôr-do-sol de sexta-feira e termina no pôr-do-sol de sábado.

Assim sendo, Jesus foi enterrado no fim da tarde de sexta-feira, antes do pôr-do-sol, quando teria início o shabat.

Portanto, em termos da nossa contagem atual de tempo, a bíblia não revela o que aconteceu entre o anoitecer de sexta-feira e a madrugada de domingo, quando Cristo ressuscitou. A história só será retomada em Lucas 24, quando, "muito de madrugada", as mulheres foram ao sepulcro.

Certo é que, quando elas voltaram e contaram aos discípulos, Pedro estava entre eles.

Então, em algum momento durante o shabat, Pedro encontrou seu caminho de volta aos discípulos. Só posso especular sobre seu coração moído pela culpa, mas nisso ele não estava sozinho, porque sabemos que os discípulos se espalharam após a prisão do Mestre.

Para Pedro e os discípulos, o sábado que hoje o catolicismo chama "de aleluia" certamente não inspirou "aleluias" em seus corações e bocas. Ao contrário: foi um dia de luto, tristeza, remorso, incerteza pelo que viria, temor, fraqueza e até ressentimento entre os próprios discípulos.

Todo mundo passa por dias assim, que não inspiram "aleluias", dias em que não dá nem vontade de levantar da cama, onde não há perspectivas. Não raro, nestes dias não há forças nem mesmo para a leitura bíblica, e, mesmo que esta seja feita, parece não haver ali consolo, tal o estado de nossas almas.

Que dizer da oração? O que diriam em oração os discípulos naquele dia? Como orar, e pelo que clamar, se o próprio Filho de Deus havia sido morto?

Sim, todos temos nossos dias em que até a oração fraqueja. Todos. Pastores, diáconos e líderes também, assim como os discípulos. Que fazer nestes dias? 

Nestes dias devemos confiar no Deus que vê o coração. Ele sabe das nossas aflições e se compadece. Ele não está surdo para que não ouça, e suas mãos não estão encolhidas para que não possa salvar. 

Como disse o salmista: "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus". Salmos 42:11

Houve um novo tempo para o desesperado Jó. Houve um novo dia em que o salmista pôde louvar a Deus. Houve um domingo para os discípulos.

Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e ele tudo fará. Sl. 37:5


Pr Felipe Rei - Igreja Batista 22 de Novembro - Niterói - RJ, em 16/04/2022

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Rude cruz, bendito Salvador!

 

Há aproximadamente 2022 anos, numa sexta-feira como hoje, um homem era pendurado numa cruz. O plano era que morresse em agonia e sob maldição.

Em agonia, porque a cruz era um instrumento de tortura absurdamente macabro, elaborado de tal forma que o condenado pudesse sobreviver pelo máximo de tempo possível, enquanto sofria dores e espasmos terríveis. Há diversos relatos de crucificados que agonizavam ao longo de vários dias. 

As dores causadas pelas perfurações dos cravos e as cãibras causadas pela perda de sangue e a imobilidade eram tão terríveis que foi criado até um novo termo para designar uma dor terrivelmente forte: excruciante (origem latina: "ex cruciare", literalmente "submeter à tortura da cruz").

As autoridades romanas usavam o terror da cruz preferencialmente contra aqueles que se insurgiam contra o poder do império, visando assim a desmotivar eventuais levantes.

Eis um retrato da agonia. Falemos agora da maldição.

O segundo objetivo era que aquele homem morresse sob maldição. Sendo ele um judeu, a crucificação viria a calhar como uma luva porque, na cultura judaica, quem fosse morto e pendurado em um madeiro era maldito por Deus (Dt 21:22-23).

Vemos aqui alguns fatos únicos: um homem condenado por judeus e gentios. Condenado como maldito por Deus entre os judeus e crucificado como um rebelde pelos gentios, maldito perante César, que era também tido por eles como uma divindade.

Por causa da cruz deste homem houve, por um momento, consonância de ideias entre judeus e gentios. Houve paz e até um gesto de amizade entre os então inimigos Herodes e Pilatos. 

Ele morreu em agonia e sob maldição, selando uma trégua entre inimigos, mostrando que a rebeldia deles contra Deus era maior que as divergências que tinham entre si, por maiores que fossem, e por isso foram capazes de se unir contra ele em um só propósito. 

Mas ele morreu abençoando!

"Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem", foi sua primeira fala. A seguir, em meio à agonia, prometeu a um bandido arrependido um lugar no paraíso. Depois mostrou preocupação por sua mãe, designando-lhe um cuidador. Sofrendo, citou o Salmo 22, queixando-se ao Pai, para mais adiante afirmar vitoriosamente a consumação do plano de Deus antes de afinal entregar seu espírito nas mãos amorosas do Pai.

Judeus e romanos achavam que estavam diante de um homem maldito e digno de morte, e que eles o haviam detido e matado, mas estavam errados.

Nada ali estava no controle deles nem seguindo seus planos, porque aquele homem não era qualquer um. Ali estava o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e que havia declarado diante deles algo que eles haviam criticado, mas que posteriormente ficaria evidente e todos o saberiam com clareza após o domingo:

"Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para recebê-la outra vez. Ninguém tira a minha vida; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para entregá-la e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai". João 10:17,18 NAA

Como diz o título de um livro de Max Lucado: Ele escolheu os cravos. A cruz era o plano, e o Filho, em obediência, deu a Sua vida pelo homem pecador.

Jesus Cristo não é qualquer um. Ele é incomparável, único.

Bendito seja para sempre. Como não amá-lo?

"E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes; e reinaremos sobre a terra. E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças. E ouvi a toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que estão no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre". Ap 5:8-13 NAA

Pr Felipe Rei, Igreja Batista 22 de Novembro - Niterói - RJ, em 15/04/2022